Ansiedade

Ataques de Pânico: Sintomas e o que Fazer na Crise

12 de janeiro de 2026
7 min de leitura

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Mulher sentada na cama junto a uma janela com luz suave, mão no peito, a respirar devagar para acalmar um ataque de pânico

Um ataque de pânico não é perigoso, mas é aterrador. Aprende a reconhecer os sintomas, o que fazer nos primeiros minutos e como o tratamento funciona.

Um ataque de pânico é uma onda súbita de medo intenso que atinge o pico em poucos minutos, geralmente entre 5 e 10, e depois começa a ceder. O que o torna tão assustador não é a duração, é a intensidade física: o corpo reage como se houvesse um perigo real e imediato, mesmo quando estás simplesmente no supermercado ou deitado na cama.

Se já passaste por isto, provavelmente pensaste que estavas a ter um enfarte, a perder o controlo ou a enlouquecer. Não estavas. Mas isso não torna a experiência menos real.

Sintomas de um ataque de pânico

Os sintomas são sobretudo físicos, e é precisamente por isso que tantas pessoas acabam nas urgências:

  • Coração acelerado ou palpitações fortes
  • Falta de ar ou sensação de sufoco
  • Aperto ou dor no peito
  • Tremores, suores e arrepios
  • Tonturas ou sensação de desmaio iminente
  • Formigueiro nas mãos, pés ou face
  • Sensação de irrealidade, como se estivesses fora do teu corpo
  • Medo intenso de morrer, de perder o controlo ou de enlouquecer
  • Para se considerar um ataque de pânico, costumam estar presentes quatro ou mais destes sintomas em simultâneo, de forma abrupta.

    Porque acontece? A explicação simples

    O teu sistema de alarme, a amígdala cerebral, dispara a resposta de luta ou fuga sem que exista uma ameaça real. A adrenalina inunda o corpo e prepara-te para correr: o coração bombeia mais depressa, a respiração acelera, os músculos tensionam. Todos os sintomas que sentes são efeitos secundários desta preparação, não sinais de doença.

    O problema é o segundo passo. Interpretas os sintomas como perigosos ("vou ter um enfarte"), o medo aumenta, e o medo alimenta mais sintomas. É este ciclo, e não a adrenalina em si, que transforma um susto num ataque completo.

    O que fazer durante uma crise

    Estas estratégias não fazem o ataque desaparecer instantaneamente, mas encurtam-no e evitam que escale.

  • 1. Nomeia o que está a acontecer. Diz para ti: "isto é um ataque de pânico, é desconfortável, não é perigoso, vai passar."
  • 2. Prolonga a expiração. Inspira pelo nariz em 4 tempos, expira pela boca em 6 ou 8. A expiração longa ativa o sistema nervoso parassimpático e trava a adrenalina.
  • 3. Ancora-te no presente com os sentidos. Identifica 5 coisas que vês, 4 que ouves, 3 em que podes tocar, 2 que cheiras e 1 que saboreias.
  • 4. Não fujas do local. Sair a correr alivia no momento, mas ensina ao cérebro que aquele sítio era mesmo perigoso, e aumenta a probabilidade de repetir.
  • 5. Deixa a onda passar. Nenhum ataque de pânico dura para sempre. O corpo não consegue sustentar aquele nível de ativação.
  • Ataque de pânico ou perturbação de pânico?

    Ter um ataque isolado é relativamente comum, sobretudo em fases de stress elevado. Fala-se em perturbação de pânico quando os ataques se repetem e, entre eles, surge o chamado medo antecipatório: o medo de voltar a ter um ataque. É aí que começam os evitamentos, deixar de conduzir na autoestrada, de ir a centros comerciais, de andar de metro, e a vida vai encolhendo.

    Esse encolhimento é o verdadeiro problema clínico, mais do que os ataques em si.

    Como funciona o tratamento

    A terapia cognitivo-comportamental é a abordagem com maior evidência científica no tratamento da perturbação de pânico, com resultados consistentes na maioria dos casos em poucos meses. O trabalho passa por:

  • Psicoeducação: perceberes exatamente o que acontece no teu corpo, o que já retira muito poder ao medo.
  • Reestruturação cognitiva: identificar e testar as interpretações catastróficas dos sintomas.
  • Exposição interoceptiva: provocar de forma controlada sensações semelhantes às do pânico, como hiperventilar ou rodar numa cadeira, para o cérebro aprender que são inofensivas.
  • Exposição gradual: voltar progressivamente aos lugares e situações que foram sendo evitados.
  • Quando procurar ajuda

    Vale a pena procurar apoio profissional se tiveste mais do que um ataque, se passas os dias com medo do próximo, ou se já começaste a evitar sítios e situações por causa disso. Não precisas de esperar que piore.

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