Teste de Ansiedade: Como Saber se Tenho Ansiedade

Um teste de ansiedade baseado no GAD-7, com pontuação explicada por uma psicóloga clínica, para perceberes se o que sentes é normal ou merece avaliação.
Perguntares-te se tens ansiedade já é, por si só, um sinal de que algo te está a pesar. Aqui podes fazer o teste de ansiedade GAD-7, validado cientificamente, perceber o que a tua pontuação significa e descarregar um resumo em PDF com as tuas respostas.
Um aviso importante e honesto: nenhum questionário faz diagnósticos. O que ele faz é medir a intensidade dos sintomas e dar-te linguagem para aquilo que sentes. O diagnóstico é sempre clínico.
O que é o teste GAD-7
O GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder 7-item) é uma das escalas de rastreio de ansiedade mais usadas em todo o mundo, em consultas de psicologia, psiquiatria e medicina geral e familiar. Foi desenvolvida e validada por Spitzer e colegas em 2006, nos Archives of Internal Medicine, e tem versão portuguesa validada (Sousa et al., 2015). São sete perguntas sobre as últimas duas semanas e demora menos de dois minutos.
Uso-o frequentemente na primeira consulta, não para rotular ninguém, mas para termos um ponto de partida e conseguirmos medir a evolução ao longo da terapia.
Faz o teste de ansiedade
Pensa nas últimas duas semanas. Com que frequência foste incomodado por cada uma destas situações?
Responde às sete perguntas para veres a tua pontuação.
As tuas respostas ficam apenas neste navegador. Nada é guardado nem enviado para lado nenhum.
O que significa a tua pontuação
O que sentes está dentro do esperado. Estratégias de gestão de stress e cuidado com o sono costumam ser suficientes.
Já há desgaste. Este nível costuma responder muito bem a intervenção breve, com psicoeducação e técnicas de regulação.
É o ponto de corte habitual para rastreio positivo. Recomenda-se avaliação com um psicólogo.
Há forte probabilidade de uma perturbação de ansiedade com impacto significativo no dia a dia. Procura acompanhamento profissional.
Ansiedade normal ou perturbação de ansiedade?
A ansiedade é uma emoção útil. Prepara-te para lidar com desafios reais, mantém-te alerta antes de uma apresentação, faz-te olhar para os dois lados antes de atravessar. Deixa de ser adaptativa quando reúne estas três características:
É desproporcional
A reação é muito maior do que a ameaça real.
É persistente
Mantém-se semanas ou meses, mesmo sem gatilho identificável.
Limita a vida
Leva-te a evitar situações, pessoas ou lugares.
É essa tríade, e não a intensidade isolada de um mau dia, que distingue ansiedade normal de perturbação de ansiedade.
Sintomas físicos que muita gente não associa à ansiedade
Uma parte das pessoas que acompanho chega depois de vários exames médicos sem alterações. A ansiedade fala muito pelo corpo:
- Aperto no peito ou sensação de falta de ar
- Nó na garganta e dificuldade em engolir
- Tensão no pescoço, ombros e mandíbula, incluindo ranger os dentes
- Problemas digestivos, náuseas e síndrome do intestino irritável
- Tonturas, formigueiros e visão turva
- Cansaço constante e sono não reparador
Se os exames estão normais mas os sintomas continuam, isso não significa que seja imaginação. Significa que a origem é outra.
Resultado alto: o que fazer a seguir
- Não te autodiagnostiques nem dramatizes. Uma pontuação elevada é informação, não sentença.
- Escreve durante uma semana quando a ansiedade sobe, o que estavas a fazer e o que pensaste. Este registo vale ouro na primeira consulta.
- Cuida das bases: sono regular, redução de cafeína e álcool, movimento diário. Não curam, mas baixam a linha de base.
- Marca uma avaliação psicológica. A terapia cognitivo-comportamental é a abordagem com maior evidência científica para as perturbações de ansiedade.
Resultado baixo mas continuas preocupado
Acontece com frequência, sobretudo em pessoas muito funcionais que aprenderam a mascarar bem. Se o teste deu baixo mas sentes que algo não está bem, confia nessa perceção. Podes estar a lidar com ansiedade focada num tema específico, com ansiedade social, com ataques de pânico ou com burnout, quadros que este teste não cobre. Se a ansiedade também te está a paralisar nas tarefas e a alimentar adiamentos, vê porque a procrastinação não é preguiça.
Perguntas frequentes
O teste de ansiedade online substitui uma consulta?
Não. Serve para rastreio e monitorização, nunca para diagnóstico. Duas pessoas com a mesma pontuação podem precisar de intervenções completamente diferentes.
Com que frequência posso repetir o teste?
De duas em duas semanas é suficiente. Repetir todos os dias alimenta a verificação constante, que é ela própria um comportamento de ansiedade.
Ansiedade tem cura?
A ansiedade não desaparece, é uma emoção humana. O que muda com a terapia é a relação que tens com ela: deixa de comandar as tuas decisões e volta a ocupar o lugar que lhe compete.
Queres perceber melhor o teu resultado?
Se o teste confirmou aquilo que já suspeitavas, o passo seguinte é simples: uma primeira consulta para avaliarmos o que está a manter a ansiedade e definirmos um plano de trabalho concreto. Presencial em Paredes ou online.
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Inês Barbosa, Psicóloga Clínica · Cédula profissional OPP 14441
Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Conhecer o percurso
Este artigo tem finalidade exclusivamente informativa e educativa. Não constitui uma avaliação, um diagnóstico nem uma intervenção psicológica, e não substitui a consulta com um profissional de saúde qualificado. Cada pessoa é única, e a leitura de conteúdos gerais não permite concluir nada sobre o teu caso em particular. A leitura deste texto não cria qualquer relação terapêutica.
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Referências científicas
- Spitzer RL, Kroenke K, Williams JBW, Löwe B (2006). A brief measure for assessing generalized anxiety disorder: the GAD-7. Archives of Internal Medicine, 166(10), 1092-1097.
- Sousa TV, et al. (2015). Reliability and validity of the Portuguese version of the Generalized Anxiety Disorder (GAD-7) scale. Health and Quality of Life Outcomes, 13, 50.
- Plummer F, Manea L, Trepel D, McMillan D (2016). Screening for anxiety disorders with the GAD-7 and GAD-2: a systematic review and diagnostic metaanalysis. General Hospital Psychiatry, 39, 24-31.
- Carpenter JK, et al. (2018). Cognitive behavioral therapy for anxiety and related disorders: a meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Depression and Anxiety, 35(6), 502-514.
- Organização Mundial da Saúde (2023). Anxiety disorders (fact sheet).
Publicado a 10 de agosto de 2026 · Última revisão clínica a 12 de agosto de 2026
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